Não sei se te conheço, mas te amo.
Talvez por isso te ame mais.
Exatamente assim agarrado ao descompasso do coração.
Nunca pensei tocar teus lábios com meu desejo de comer-te vivo
como canibal de um amor que é carne pulsante.
Nunca sequer imaginei vida sem ti.
Nem poderia me esconder de teu olhar.
Teu corpo é o verso que falta em meu inacabado poema.
E é a conexão dessas letras em significado íntimo
que me faz te querer mais e mais e mais vezes
da maneira mais impura possível.
É meu jeito louco de querer que minha individual impureza de pensamentos
transforme-se em pura e cristalina febre de tesão.
Sem entender o significado desse querer,
se puro,
se impuro,
minha mente contorce em imaginação o nosso emaranhado de corpos.
Figuras que se batem, se arranham,
se rasgam em desejo e ganham, ao final de uma luta ardente,
o olhar mais puro que só um verdadeiro amor pode revelar.
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Foi como o primeiro beijo,
Foi como o fácil gostar.
Teu olhar se fez pra mim
Como um mistério a se resolver.
Como és de lindos olhos,
declaro-me teu contemplador
Sonho o momento do amor
E espero trazer-te felicidade.
O encanto de teu sorriso
não foge da memória.
Enquanto o doce de teus lábios
Faz meu delírio crescer
Faz meu corpo adoecer de saudade.
Se é teu corpo fonte de meu calor
Que derreta o frio outrora deixado.
E que o fim seja mais um começo.
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E de sentir o bater no peito mudar
um sorriso surge diferente.
Revisito os dias de dor
pra saber como não repetir.
É uma saudade de um abraço pouco dado,
mas intensamente sentido.
E com todo sentido.
São os olhos que beijam.
É o corpo do perfeito encaixe.
É a combinação instantânea.
É um nascer que não se pretendia,
é a surpresa de se ter maravilha naquele inesperado sorriso.
É o medo de deixar acontecer,
é o espaço que não se mede,
é a vontade de puxar pra perto
como uma garrafa da mais deliciosa bebida,
como um pedaço do melhor doce.
É o desejo de ter ao redor o que se afastou,
mas que parece pertencer até muitos futuros dias.
É o medo de admitir um sentimento,
mas é principalmente a felicidade
de deixar o coração bater como se fosse novo.
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Brilho dos meus olhos,
é como deveria te chamar.
É dessa maneira que sinto
esse sentimento estranho me envolver
e tentar dominar.
Pelas feridas passadas,
vou me permitindo aos poucos.
Controlo as expressões de grande entusiasmo
e ao me isolar
deixo vários sorrisos rolarem e me encherem de felicidade,
enquanto te faço passear em meu pensamento.
Se algo está nascendo,
que seja pra me fazer feliz,
que seja pra renovar os meus íntimos ares.
Se um dia eu voltar a sorrir como costumava ser,
que seja porque toda felicidade guardadinha em mim reflete para o mundo,
por ser você
o brilho dos meus olhos.
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Pela proteção que me dou
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Raiva que mata,
que fere,
que rasga,
que rompe,
que faz sumir, esvaecer.
Raivas são delírios,
impulsos ou até mesmo uma parte de um ato ensaiado.
Inteiramente premeditado.
Minha raiva é doce e simples,
como raiva de ter raiva.
E, por outras vezes,
raiva de não tê-la.
Dissipa, despe de tudo e de toda ela se veste.
Deforma o bom,
embaça,
faz acabar prantos de formas não convencionais.
Faz não enxergar.
Querer exageros,
extremos por vezes violentos.
E basta um descanso
para perceber-se equivocada.
Envergonha-se.
Desculpa-se.
Compõe-se.
E segue em frente, por fim,
até quando todo o ciclo reinicia.
Numa raiva que mata, que fere, que rasga.
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Se chamam de amor o que vivi,
o futuro tem que me dar mais
por merecimento.
Às vezes é comum pensar que amor é fácil de se classificar,
nomear, representar, traduzir, entre tantos outros verbos.
Uns o chamam de difícil, complicado,
outros já acham que, se não vem fácil, não é amor.
Precisaria ele apenas acontecer?
À primeira vista?
De supetão?
No susto?
Ou o certo é edificá-lo aos poucos?
Passando todas dificuldades consideradas necessárias?
A questão é que o amor não é previsível.
O momento que o desperta é um segundo,
fica pela conta de cada um como alimentar a expectativa - ou não -
desse único segundo que bagunça tudo.
Na mais que humilde opinião que dou,
o interesse para o amor pode acontecer
à primeira vista,
de supetão,
no susto.
Mas a sua fortaleza só vem depois que tanto se colocar em limites
e querer continuar por ele,
mas não precisamos de batalhas sangrentas.
Faz pelo amor o que ele merece
sem empecilhos ou bloqueios.
Entrega tua alma, todo teu desejo.
E ama.
O amor pode ser despertado em um segundo
e de alguma forma ele é alimentado, cultivado.
E a partir do momento que seu próprio conceito é dúbio,
alcançá-lo é um feito glorioso.
Então guarde todo amor.
Não permita que ele desaconteça.
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Ele pensa pra fazer e faz pra poder pensar,
porque sente não ter obrigação de fazer sempre da mesma maneira.
Ele senta pra descansar, ele para pra ouvir.
Ele corre pra chegar, ele chora pra libertar,
mas chora escondido.
Ele ouve pra passar o tempo, ele teima pra alcançar.
Ele dança pra viver, ele fala pra valer a pena.
Ele tenta acertar, ele sofre pra aceitar.
Ele ama loucamente.
Depois de tanta ação, ele deita pra dormir.
Ele sonha pra conseguir.
Ele faz e acontece.
Ele acorda pra viver, ele acorda pra sair.
Ele acorda pra fazer valer a pena.
Mais uma vez.
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Sofre pelo mal que te causam
como injustiça a ser vivida
por obrigação.
Teus atos são por lágrimas.
Sem razão, sem espera.
Corre teus olhos pelas folhas
de árvores secas
não apenas por sombras já inexistentes.
Mas pelo derramado
e já seco sentimento
e já findo pulsar
de um morto coração.
Sem sangue.
Sem bater aparentemente.
Sem ter, nem sentir.
Apenas ao encher de um peito
que não alivia,
mas que o quer de uma vez.
Chegam as horas
e o tempo tedioso sinaliza,
bate, lembra,
tira de mim, esvazia,
pausa, bate,
para, dispara
e mata.
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Em cada centímetro de querer meu por ti
cabem mais incomensuráveis outros metros.
É quando me percebo ao te querer com aquele desejo
que fere o olhar e o meu segredo.
Em cada palavra que eu possa te dedicar
cabem mais quilômetros e quilômetros de um sentimento
de uma sensação louca e desesperadamente louca
como louco fico.
E os ventos gelados que me trazem cada vez mais
a vontade.
Eles que fazem surgir as necessidades que com tanta luta
eu havia conseguido esconder.
Depois de tanto escancarado querer,
te peço de volta minhas forças, o meu chão
e a minha capacidade de voltar.
Não posso mais me considerar o mesmo
depois que me deste de presente o teu olhar.
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Mais certo do que clichê,
falta amor no mundo.
Falta um sorriso bonito pra qualquer um.
Falta um bem pra qualquer quem.
Falta o olho no olho, aquela verdade.
Falta a falta de mentira.
E tudo que dizem que falta.
Falta a parte de cada um.
Falta essência.
Esperar pelo alheio é como tirar a certeza do caminho.
Fala-se das faltas do mundo.
E o mundo sofre.
E o mundo chora.
E o mundo espera.
No final, existe um eu num cantinho
sofrendo, chorando e esperando,
encolhido nas suas faltas,
nos seus místério,
sem nenhum conforto do mundo.
Apenas o só e somente sozinho,
mais certo do que redundante.
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Minhas impressões são sem sentido e sem motivo.
Penso, penso, penso até demais,
mas de externar tenho medo.
Espero guardar, guardar,
manter tudo bem egoisticamente.
Sim, só pra mim.
Ao meu alcance, ao meu conforto.
Até quando nada cabe mais e as explosões de palavras surgem.
Explodir em palavras pode ser lindo.
Pode ser poético e suave,
pode ser como um pedaço delicadinho de mim,
que eu talvez nem soubesse que existisse.
Explodir em palavras também pode ser extremamente nocivo,
pode ser destrutivo e desagregador.
Minha palavra te acarinha e pode te triturar em ti,
fazendo perder o sentido e misturar as emoções.
O despejar tudo deixa notável em impossível separação.
Se bom ou se mau cabe ao olhar de quem vê e de quem pensa.
Fato: todo pensam, às vezes demais.
Mas de externar, o medo.
Medo de parecerem todos lindos tolos,
em suas impressões sem sentido e sem motivo.
Aparentemente.
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O avesso não é necessariamente um contrário,
um oposto.
O avesso é apenas o outro lado,
aquele escondido, mais difícil de se revelar.
O preço do avesso pode ser caro,
pode causar diversos problemas.
Questão de sigilo.
O avesso se guarda pela corajosa superfície.
É praticamente impossível juntar os avessos de algo
e ter um resultado único e total.
Os avessos também podem ser falhos
e os medos, irracionais.
Os avessos podem não combinar,
ou podem ser exatamente iguais.
Meu lado bem-querer é aberto,
como se transparentemente mostrasse seu avesso
em combinação mais-que-perfeita de apenas querer bem.
Meu avesso bem-querer é escondido,
é temeroso de suas descobertas.
Meu avesso bem-querer está guardado
para fins de autopreservação.
Meu avesso bem-querer se tenta salvar
de todo mal e razão de pranto.
Meu avesso bem-querer é também bem-querer.
E por ser descaradamente eu inteiro em bem querer a ti,
procuro maneiras de esvair as prováveis dores.
Então te deixo a certeza de meu mais-que-perfeitamente querer-te bem.
E me vou.
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Todo o amor contido em um beijo de despedida
nada mais é do que um falso alarme
de que há ou houve um forte sentimento.
Beijos de despedidas nascem do "não te quero mais."
Mas o que deveriam significar,
se às vezes parecem ser mais verdadeiros
que todo um relacionamento.
Beijos de despedida carregam desculpas e vergonhas.
São como uma recompensa por todo um tempo de afastamento.
São como uma prova de que amor houve,
mas não foi suficiente.
No fundo, eles nada recompensam
muito menos provam coisa alguma.
Os beijos de despedida servem pra machucar os corações já feridos.
Eles causam mais dor e abrem mais espaço pra os sofrimentos.
Não há beijo que recompense um abandono
ou uma profunda tristeza.
Não se despeça de mim com beijos de pena se essa ida é definitiva.
E não pense que as dores não passam
ou que os sofrimentos não acabam
- independentemente do tamanho, do peso, ou qualquer outra variável.
Guarda teus beijos pra quem passa a merecê-los
e não demonstre uma falsa piedade por uma dor
que aparenta poder ser suavizada com um beijo teu de despedida,
porque se meus beijos já não mais te servem,
os teus pra mim perdem a verdade e passam a valer nada.
Vai sem falsos arrependimentos,
sem necessidades de perdão,
sem beijos de despedida.
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Quantos beijos são precisos para o amor?
Quantos "nãos" são suportáveis até o sim?
Corre pelo corpo a gota de suor gerada de medo
e expectativa.
Vem os serás, as dúvidas, os pensamentos,
uns esboços de planos que logo se acabam.
E os beijos.
Acabam como se nada fosse significado.
E voltam, surgem.
Repetem-se entre palavras.
Cuidado com as palavras.
Como confiar nelas?
Como saber?
Para o real amor, não precisamos contar beijos.
Ele acontece até mesmo sem eles.
E qualquer não é suportável e esquecido,
quando o sim vale a pena.
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Aprendi que teus desejos de suicídio apenas são apelos por atenção.
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Amor faz perder,
cegar do fato que é preciso desprender.
Amor faz emudecer,
ceder e esperar pelo que nem sempre vem.
Amor faz enlouquecer,
e acreditar uma posse que não existe.
Amor faz enciumar
e desconfiar, não por mal, mas pelo próprio bem.
Quando tudo junto, torna-se peso e um não querer passar
e um não querer viver, é que o amor fere.
É que o amor apenas reclama e traz maus bocados como se diz.
Há pesos, cruzes e nenhuma medida correta.
Quando o amor machuca,
Quando o amor acaba,
nada mais parece querer fazer sentido.
Os conselhos de se esforçar pra não amar
parecem hoje fazer mais sentido.
Diante de tanto desprazer
os laços enfraquecem,
o amor se perde e
os milhões de questionamentos reduzem para apenas um.
No fim das contas, o que é o verdadeiro amor?
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Ontem
Pareciam duas pessoas que não queriam terminar.
Tanto choro naqueles olhares.
E eles não queriam se apartar.
Era desejo que começava de um lado,
por desejos que não acabaram de ambos.
Era um "não creio", um "não vai",
um "você pode se arrepender"
Pensando tanto em condições e em sofrer,
dei as costas e caminhei para longe.
Corri, entrei, bati, deitei, chorei e dormi.
Hoje
Desato os laços que me prediam a você,
já desbotados de tantas lágrimas derramadas.
Parece que o vazio é maior e aparentemente
eu não sinto minhas pernas, só o pesar.
Só o pesado coração que bate por comodidade.
Por inércia e talvez por querer que eu viva outra vez.
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As necessidades são enormes
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E se vai aquela chance de um tanto de prazer.
E se perde um pouco das vontades anteriores.
E se aborrece com o agir do outro.
Reclama das paredes, das tomadas de uma casa
que abriga desde sempre por não ter do que falar.
O que acontece reflete complicações e necessidades.
Não necessariamente má vontade e vingança.
Pensando um pouco mais, entende.
Só que uma coisa leva aos absurdos,
se diz portar sinceridade,
mas ignora falas e desejos.
Se diz verdade a todo custo,
mas aparenta não perceber quando não o é.
Cada um é um pedaço de si próprio,
até que sua plenitude seja percebida
e tudo comece a ser vivido no total.
Uma barreira enorme separa um eu de um você.
Não existem eu e você como um.
Existe um eu e um você.
Pode existir um eu e você, mas repleto de individualidades.
Pensando bem,
o que existe no fim de tudo é o 'eu',
porque o 'você' é apenas um interesse de satisfazer esse 'eu'.
E, depois de alcançada a satifação,
'eu' e 'você' somos apenas pronomes.
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