Obrigado

Não seja impaciente! Pense! E, se preciso for, repense. Metas não existem sem obstáculos, mesmo que o obstáculo seja um simples aguardo. Penso em quantas vezes a ansiedade, a vontade de alcançar e de ter repostas perturbam a mente, causando uma doideira na cabeça. Martelar é uma das piores ações involuntárias do pensamento. Saber controlar isso parece ser apenas impossível, Gostaria de aprender.
Talvez seja mais fácil a frieza. O gelo afasta e facilita que se grudem carapaças, escudos e tantas outras formas de proteção de tudo que possa querer se aproximar. Nada traz brilho aos olhos e o que se tem mais parece um castigo do que algo bom que foi alcançado. Não se olha com orgulho a essas conquistas. São rotinas das quais só se quer livrar, mandar embora, esquecer, desvencilhar.
Mas é preciso sentir gratidão. É preciso respirar fundo e refletir que, se o até aqui já foi alcançado, não tardará aquela meta pregada com carinho no coração.
Os sonhos são reais medidas de valor. Orgulhar-se de seu hoje é estranhamente necessário, mesmo que ele pareça não valer. Agradecer a Deus, a um próximo ou a você mesmo é o primeiro passo para sentir esperança e vontade de ir além.
Não seja impaciente! Agradeça! E, se preciso for, reagradeça.
Obrigado.

O Choro Dos Céus

Desce louca a chuva por uma parede onde costumava guardar lembranças. Uma parede distante onde, a sós, encostava meus pensamentos e abria livros. O tempo era um brinquedinho velho que não percebia estar junto a mim, no mesmo ambiente. E até a luz natural ir embora, lia. Afastava os pensamentos, para que quando a escuridão tomasse conta, eu pudesse voltar a pensar. Fechava o livro. Fechava o olhar. Deixava que se abrissem as emoções de não ter, de não estar, de falhar um conjunto que tudo tinha para não ser vazio.
E, esquecendo hoje a matemática, tudo só faz falta. E meu sapatos encharcados só deixam intenso o peso do choro dos céus. Não os meus. Não ainda. É como se um universo inteiro estivesse a apontar e querer mostrar que era o ideal, como se um querer de todos tivesse sido contrariado.
No entanto, ao fechar dos olhos era que a respiração ficava mais fácil. Todos os livros, romances, histórias faziam sentido. Tinham eles uma razão de ser e um alívio a provocar no coração. 
Completamente molhado, levantei. Não sacudi poeira, não havia jeito. Recolhi meu livro já terminado e andei toda rua de volta pra casa, com o pensamento mais positivo e as emoções todas transparentes, limpas, bem lavadas pelo choro dos céus.
Já era quase manhã, o sol nascia. Livrei de meu esconderijo e tudo estava literalmente claro. E, enquanto a chuva continuava, enquanto eu caminhava de braços abertos, deixei a parede dos pensamentos, pelo caminho do futuro. 
Espero ter acertado.

Medo de Amar

Medo de amar é uma forma de amar. É o querer descontrolado em que devemos colocar nossas próprias barreiras seja pelo receio de se ferir ou de magoar outras pessoas. Um choro cheio de vontade de querer e de fingido desinteresse. 
Amar pode se tornar uma das atitudes mais difíceis a se tomar. Sim, amar também requer a atitude de amar, não apenas a vontade e o sentimento. Apesar de que com esses dois últimos fica bem mais fácil. Quando o coração palpita, esse sentimento explode e a vontade é apenas louca de querer se jogar num relacionamento. Traz pra perto o desejo de estar próximo de todos os detalhes do outro. 
Um outro que se torna parte, que se torna meu e que como nenhum outro poderá ser. 
Acontece que isso são apenas desejos de se estar e um amor jamais pode sobreviver de um lado só. A convicção do amor é absoluta, mas a certeza do querer do outro lado pode ser duvidosa, por isso dolorosa, por fim, o medo de amar.
Se um dia a atitude de esquecer o medo existir de ambos os lados, o amor poderá prevalecer com tudo que o define. E é isso que te faz seguir.

O Mais Íntimo do Olhar

Não sei se te conheço, mas te amo.
Talvez por isso te ame mais.
Exatamente assim agarrado ao descompasso do coração.

Nunca pensei tocar teus lábios com meu desejo de comer-te vivo
como canibal de um amor que é carne pulsante.
Nunca sequer imaginei vida sem ti.
Nem poderia me esconder de teu olhar.

Teu corpo é o verso que falta em meu inacabado poema.
E é a conexão dessas letras em significado íntimo
que me faz te querer mais e mais e mais vezes
da maneira mais impura possível.

É meu jeito louco de querer que minha individual impureza de pensamentos
transforme-se em pura e cristalina febre de tesão.
Sem entender o significado desse querer,
se puro,
se impuro,
minha mente contorce em imaginação o nosso emaranhado de corpos.

Figuras que se batem, se arranham,
se rasgam em desejo e ganham, ao final de uma luta ardente,
o olhar mais puro que só um verdadeiro amor pode revelar.

Abrir-se

Abrir-se é um caminho sem volta, quando se é exageradamente sentimento.
Se tentar ser razão, espero que tenha sucesso.
Não eu.
Não tive.

Procurei ser razão e ele derrubou toda torre falha de cartas que montei.
Sim, ele é o sentimento.
Não consideraria fraqueza declamar poesias inteiras no íntimo
e aos olhos.
Não sonharia dedicar músicas que não parecessem ter sido feitas para meus momentos.
Sob medida.
Sob pressão de nunca mais sentir tal sentir.

E, ao abrir-se ao mundo e aos olhos do sentimento,
tentar não ser sentimental passa a ser cruel.

São pontadas de dor por revelar o segredo ao mundo.
E ao mundo quer dizer a apenas ele.

Abrir-se: o rasgar do peito que não retorna à condição nenhuma anterior.
De olhos fechados, quando se entrega a qualquer destino incerto.
Uma vez jogado como um tapa forte na cara, não há o que esconder.
E se sentir já é difícil, a falta de resposta é ainda mais agonizante.

Abrir-se é esvaziar, é morrer até a resposta.
E, se não há uma resposta certa,
abrir-se é transformado em morte, em vazio e ferida aberta.
Até que a cicatriz feche tudo que foi entregue
e faça esquecer que a qualquer momento será necessário abrir-se outra vez.

Recomeçar

Foi como o primeiro beijo,
Foi como o fácil gostar.
Teu olhar se fez pra mim
Como um mistério a se resolver.

Como és de lindos olhos,
declaro-me teu contemplador
Sonho o momento do amor
E espero trazer-te felicidade.

O encanto de teu sorriso
não foge da memória.
Enquanto o doce de teus lábios
Faz meu delírio crescer
Faz meu corpo adoecer de saudade.

Se é teu corpo fonte de meu calor
Que derreta o frio outrora deixado.

E que o fim seja mais um começo.

Tão Longe, Tão Perto

E de sentir o bater no peito mudar
um sorriso surge diferente.
Revisito os dias de dor
pra saber como não repetir.

É uma saudade de um abraço pouco dado,
mas intensamente sentido.
E com todo sentido.

São os olhos que beijam.
É o corpo do perfeito encaixe.
É a combinação instantânea.
É um nascer que não se pretendia,
é a surpresa de se ter maravilha naquele inesperado sorriso.

É o medo de deixar acontecer,
é o espaço que não se mede,
é a vontade de puxar pra perto
como uma garrafa da mais deliciosa bebida,
como um pedaço do melhor doce.

É o desejo de ter ao redor o que se afastou,
mas que parece pertencer até muitos futuros dias.

É o medo de admitir um sentimento,
mas é principalmente a felicidade
de deixar o coração bater como se fosse novo.

Brilho dos Meus Olhos

Brilho dos meus olhos,
é como deveria te chamar.
É dessa maneira que sinto
esse sentimento estranho me envolver
e tentar dominar.

Pelas feridas passadas,
vou me permitindo aos poucos.
Controlo as expressões de grande entusiasmo
e ao me isolar
deixo vários sorrisos rolarem e me encherem de felicidade,
enquanto te faço passear em meu pensamento.

Se algo está nascendo,
que seja pra me fazer feliz,
que seja pra renovar os meus íntimos ares.
Se um dia eu voltar a sorrir como costumava ser,
que seja porque toda felicidade guardadinha em mim reflete para o mundo,
por ser você
o brilho dos meus olhos.

A Droga de Viver

Quer se morrer no instante em que se foi dito o não.
Mas tudo que é próximo te diz pra ser forte e prosseguir,
enquanto se tranca no quarto e chora.

Desaba-se e desabafa-se com tanta frequência,
que é quase impossível acreditar
que um amor pode causar tamanho abismo interior.

Agarrando-se ao travesseiro que parece renomeado de esperança,
encharcado já em lágrimas de solidão,
à espera de um arrependimento,
de umas doses de caridade.

E a certeza de como somos baixos e egoístas ao sofrer.
Aponto isso como um direito.

As forças que equilibram o corpo parecem correr direto para o coração,
para ajudá-lo a superar,
enquanto faz todo corpo arder em tristeza e saudade.

A parte mais fragilizada recebe toda a força de que precisa para superar
e todo o resto acaba por não se sustentar.
Isso significa perder o chão.

E, por falar em perdas,
cada lágrima que vai não é,
infelizmente,
uma memória que se apaga.
Talvez, felizmente.

E o conselho que vem é que se precisa viver.

É uma pena ser um conselho tão correto e tão difícil.
Perde-se a segurança, a confiança e o desejo.
Os olhos apagam aos poucos, até o limite.
O corpo sente a falta de liberdade no rosto e no sorriso,
e tenta voltar a sorrir,
as memórias começam a se distanciar,
o coração vai fortalecendo e devolvendo a força que equilibra o corpo de pé.

O chão volta a aparecer
e descobrimos a droga de viver,
quando percebemos que isso é um ciclo
que sempre volta a se repetir.

Pela proteção que me dou

perco o mundo ao redor e costumo não arrepender.

Ações falhas, escassas,
na verdade, nenhuma delas.

Apenas sonhos de "algo adiante"
e um longo aguardar de medo e ansiedade.
Exposição como medo contínuo de toda uma vida.
É sentir falta e não ter coragem.
É um "se guardar" covarde.

Proteção que cria barreiras,
que bate a face duas, três vezes.

É o não aprendizado,
a não transparência.

É o "serei" sem se ser.
É o "farei" sem que se faça.

Reflexo dos olhos ao mundo
por dentro de uma alma chorosa.

É o grito mudo daquela revolução que se quer pra si,
mas que nunca foi vista em guerra.

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