O avesso não é necessariamente um contrário,
um oposto.
O avesso é apenas o outro lado,
aquele escondido, mais difícil de se revelar.
O preço do avesso pode ser caro,
pode causar diversos problemas.
Questão de sigilo.
O avesso se guarda pela corajosa superfície.
É praticamente impossível juntar os avessos de algo
e ter um resultado único e total.
Os avessos também podem ser falhos
e os medos, irracionais.
Os avessos podem não combinar,
ou podem ser exatamente iguais.
Meu lado bem-querer é aberto,
como se transparentemente mostrasse seu avesso
em combinação mais-que-perfeita de apenas querer bem.
Meu avesso bem-querer é escondido,
é temeroso de suas descobertas.
Meu avesso bem-querer está guardado
para fins de autopreservação.
Meu avesso bem-querer se tenta salvar
de todo mal e razão de pranto.
Meu avesso bem-querer é também bem-querer.
E por ser descaradamente eu inteiro em bem querer a ti,
procuro maneiras de esvair as prováveis dores.
Então te deixo a certeza de meu mais-que-perfeitamente querer-te bem.
E me vou.
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Todo o amor contido em um beijo de despedida
nada mais é do que um falso alarme
de que há ou houve um forte sentimento.
Beijos de despedidas nascem do "não te quero mais."
Mas o que deveriam significar,
se às vezes parecem ser mais verdadeiros
que todo um relacionamento.
Beijos de despedida carregam desculpas e vergonhas.
São como uma recompensa por todo um tempo de afastamento.
São como uma prova de que amor houve,
mas não foi suficiente.
No fundo, eles nada recompensam
muito menos provam coisa alguma.
Os beijos de despedida servem pra machucar os corações já feridos.
Eles causam mais dor e abrem mais espaço pra os sofrimentos.
Não há beijo que recompense um abandono
ou uma profunda tristeza.
Não se despeça de mim com beijos de pena se essa ida é definitiva.
E não pense que as dores não passam
ou que os sofrimentos não acabam
- independentemente do tamanho, do peso, ou qualquer outra variável.
Guarda teus beijos pra quem passa a merecê-los
e não demonstre uma falsa piedade por uma dor
que aparenta poder ser suavizada com um beijo teu de despedida,
porque se meus beijos já não mais te servem,
os teus pra mim perdem a verdade e passam a valer nada.
Vai sem falsos arrependimentos,
sem necessidades de perdão,
sem beijos de despedida.
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Quantos beijos são precisos para o amor?
Quantos "nãos" são suportáveis até o sim?
Corre pelo corpo a gota de suor gerada de medo
e expectativa.
Vem os serás, as dúvidas, os pensamentos,
uns esboços de planos que logo se acabam.
E os beijos.
Acabam como se nada fosse significado.
E voltam, surgem.
Repetem-se entre palavras.
Cuidado com as palavras.
Como confiar nelas?
Como saber?
Para o real amor, não precisamos contar beijos.
Ele acontece até mesmo sem eles.
E qualquer não é suportável e esquecido,
quando o sim vale a pena.
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Aprendi que teus desejos de suicídio apenas são apelos por atenção.
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Tanto faz se o que ouço de você é nada.
Tanto faz se você tudo fala sobre mim.
Tanto faz se pensa,
Tanto faz se me sonha.
Tanto faz se você me deseja perto,
se suas palavras não saem.
Tanto faz se faço parte de seus sonhos,
se você não os conta pra mim.
Tanto faz se me tem amor,
tanto faz se me tem carinho e apreço,
se são apenas sentimentos guardados num cofre.
Tanto faz se você pensa em mim,
tanto faz se você nunca me esqueceria,
se me ver aos prantos te amando e não toma uma atitude.
Tanto faz se você é aquele que veio dos céus para mim,
se suas palavras são falhas e mudas.
Tanto faz se é você ou se sou eu,
se a chance do nós cala em seus pensamentos.
Tanto faz se é pra mim,
tanto faz se é tudo ou nada,
tanto faz cada sentimento,
tanto faz um beijo desejado,
tanto faz um coração que acelera,
tanto faz tudo que sinta por mim,
se cada sensação é reprimida pelo seu medo,
se você é apenas hesitação,
se você não deixa mostrar tudo que há por dentro.
Tanto faz teu amor,
se te falta coragem.
Tanto faz.
Cansei das dores que doem e redoem depois de não mais razão.
Cansei de sentir que o vazio não vai embora de mim, que nada me faz esquecer.
Cansei da raiva e do desgosto desmedido, incomensurável e que apenas cresce.
Cansei de tudo de bom que aconteceu, de tudo que me lembra um sorriso.
Cansei de chorar, de lamentar, de fingir aquele ok.
Cansei de não ter definições.
Cansei de estar girando por todos os lugares como se nada mais me pudesse fixar.
Cansei de tentar focar em tudo que não completa.
Cansei de transferir as energias que deveriam ser poupadas.
Cansei de sentir esse cheiro imaginário, essa vontade de frente a frente.
Cansei de ser o que eu não sou ou o que não quero ser.
Cansei de me renegar, da humilhação e da zombaria.
Cansei de ser alvo, de ser culpa, de ser o motivo.
Cansei de esperar que as coisas se ajeitem finalmente.
Cansei de fingir que posso respirar.
Cansei desse eu que nunca foi assim.
Cansei e como cansado não quero abrir os olhos.
Quero mais cinco minutos.
Desliguem esse despertador,
porque a hora parecia chegada mas essa doença não apartou.
E eu cansei.
Apenas cansei.
Não me venha com seu falso bom dia. Com a vergonha de ter a obrigação de fazê-lo. Você simplesmente não a tem. Não force. Guarde suas palavras, seus desejos e toda sua verdade, não pra quem a mereça, mas pra quem você a queira dar.
É simples, é prático e evita tanto constrangimento.
Se não me ama, não se sinta na obrigação.
Se não queres, atenda aos teus desejos.
Se não vai ficar, não ofereça atenção.
Não me venha com aquela simpatia de quem deseja.
Não me diga que você quer.
Não me assombre com as memórias das quais você mesmo tirou os sentidos.
Não me olhe, não me abrace, não me beije, não me deixa saber que me deseja.
Não me faça cair outra vez.
Não me faça desistir de mim. Os merecimentos não são mais seus. Ou de qualquer outro.
Não me queira por perto.
Não me ponha em seus pensamentos.
Não me guarde em lembranças.
Não quero sofrer por saber que há motivos para tudo acontecer outra vez.
Não me guarde. Não me sinta. Não deseje. Deixe-me ir.
Sem mais palavras. Sem pedidos. Sem olhares.
Saber que chorei, sofri e me derramei em sentimentos.
Saber que valeram a pena porque acabaram pra sempre.
Saber que tudo que sinto vai embora em cada lágrima.
Não me diga que ainda sou parte.
Faça com que eu chore.
Faça com que eu sofra.
Faça com que eu não queira mais.
Faça com que eu tema.
Faça com que eu desista.
Não me leve para seu coração.
Não me cante músicas românticas ao ouvido.
Não me faça sentir bem ao seu lado.
Quero sentir todo o desprazer de estar com você, porque minha fraqueza me faria gostar de sofrer tudo outra vez.
Minha fraqueza não vale a pena.
Faça com que eu te odeie, porque o amor que está guardado sobreviveria por toda vida, mas não vale a pena ser vivido.
Quero ser apenas eu. Sozinho. Sem oportudidades de chorar por culpa que não seja minha.
Amor faz perder,
cegar do fato que é preciso desprender.
Amor faz emudecer,
ceder e esperar pelo que nem sempre vem.
Amor faz enlouquecer,
e acreditar uma posse que não existe.
Amor faz enciumar
e desconfiar, não por mal, mas pelo próprio bem.
Quando tudo junto, torna-se peso e um não querer passar
e um não querer viver, é que o amor fere.
É que o amor apenas reclama e traz maus bocados como se diz.
Há pesos, cruzes e nenhuma medida correta.
Quando o amor machuca,
Quando o amor acaba,
nada mais parece querer fazer sentido.
Os conselhos de se esforçar pra não amar
parecem hoje fazer mais sentido.
Diante de tanto desprazer
os laços enfraquecem,
o amor se perde e
os milhões de questionamentos reduzem para apenas um.
No fim das contas, o que é o verdadeiro amor?
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