Lembrei de você.
Sabe,
não esperava que fosse acontecer tão cedo.
Mas ontem dormi cansado.
Cai na cama como uma pedra.
E sonhei com coisa nenhuma que
fizesse sentido.
Rá!
Sonhei com você,
não fazia realmente sentido.
Acordei sem saber o que tinha acontecido,
mas sinceramente
eu também não queria saber.
Se eu fazia questão?
Nenhuma.
Às vezes é melhor esquecer os sonhos,
determinados sonhos.
É, você entendeu bem.
Você tinha uns sonhos quaisquer que, bem,
eu nunca tive.
Lembrei de você então.
Só pra você saber:
não me fez bem.
Porque agora eu tive um sonho, mas não vou te contar.
E não adianta querer,
porque, com certeza, não vai acontecer.
Antes eu tivesse me atirado do oitavo andar.
Não no sonho.
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Não quero que me ouça.
Não quero que me perceba.
Não é revolta,
apenas acontece que já quis ser ouvido e percebido.
Mas agora?
Não.
Agora não tenho motivos de querer isso.
Busca-me por todas as ruas e janelas de ônibus.
Mas eu prefiro que a velocidade seja maior e me desfigure.
Por favor, não me procure.
Se procurar que não me encontre.
Mas se me encontrar,
me avise,
que precisarei desfigurar.
Sua expressão não me parece entender.
É uma pena.
Porque me desfigurarei.
E não sei dizer o quanto você vai sofrer com isso,
mas acredito que não vai.
Inclusive
é sempre assim.
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Leio,
diversas vezes,
as palavras que costumam perturbar a mente -
a minha mente.
Leio,
mas não entendo.
Não sei porque aparecem de uma forma tão -
como posso dizer? -
enigmática.
Todas as vezes que entendo alguma delas,
aparecem várias outras que não deixam significado nenhum.
E eu continuo.
Leio.
E nada de elas se fazerem entender em minha cabeça.
Sabe,
existem algumas palavras que seduzem,
mas não as compreendo.
Então tento entendê-las o máximo que posso e
o máximo que elas permitem ser entendidas.
Mas se o significado não existe,
não existe razão de continuar a tentativa.
Então continuo lendo.
E quem sabe mais pra frente,
apareça alguma nova palavra que me faça entender
o porquê de essas velhas palavras não quererem ser
lidas.
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Pensando nas multidões,
cheguei e sentei.
As mortes, as questões e
os grandes pontos de interrogações.
Tudo na cabeça.
Martela,
martela,
martela.
Pensei que fosse, por mil vezes, seguir
e durar,
pra sempre.
Mas não é que às vezes
passa a ser regra.
E a regra não condiz com o que se quer.
Reflita,
reflita,
reflita.
Sombras de dúvidas estão
pairando e pareciam não existir.
Bobagens seriam feitas,
se fosse pensado bem,
mas nada faz com que se
relute,
relute,
relute.
Predominaram as imaginações
e mais coisas que não sei.
Só o que se confirmou
é que certas razões não são razões.
Esqueça,
esqueça,
esqueça.
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é porque está faltando em mim.
Mas se as sobras são minhas,
não quer dizer que te falte algo.
Queria poder ser como você,
mas sempre que te sobra,
eu penso como seria bom
se fossem as minhas sobras em ti.
Acontece que hoje estou em falta
e, se é falta,
não me consigo nas sobras,
não me encontro em lugar nenhum.
Em ti também falta,
sei que não há nada que te faça sobrar.
Sobrar de transbordar,
sempre foi bom pra você
o transbordar.
Mas sei também
que hoje te falta
a minha falta.
É como eu pensei,
nossas faltas se completam,
e sobramos juntos.
Transbordamos juntos.
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Sai daqui.
Eu cansei de olhar sua cara,
cara de desprezo,
de sei lá o que.
Como se eu não fosse nada mais que
um pedaço de nada no meio da rua.
Sai daqui.
Volta lá pro seu cantinho.
Eu tava tão quietinho.
Fiquei tanto tempo sem precisar te ouvir.
É eu sempre soube o que você tinha pra me dizer.
Sabia que não gostaria.
Então?
Sai daqui.
Vai deixando essas fotos que eu te dei
e que você aqui pra provar sei lá o que.
Sério.
Sai daqui.
Sai daqui e
e me esquece.
É o mínimo que você pode fazer.
E não é nem por mim mais.
É só por você, tá?
Que fique bem claro.
Sai daqui.
E me deixa ver meu programa preferido.
Você tá na minha frente.
O que eu vou fazer daqui pra frente?
Isso é comigo.
Já o que você vai fazer
não me interessa muito.
Vai.
E bate a porta quando sair.
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Em um dia de chuva,
uma foto em preto e branco.
Guardei aquele momento longe de mim por muito tempo.
Triste. Melancólico.
Eu.
O tempo
todo.
Mas apareceu,
você apareceu.
Resgatando tudo isso.
E eu não sabia se era bom.
Foi bom um dia.
Poderia ser
novamente?
Acho que não acredito.
Praticamente ninguém
crê
em mim.
Nem eu.
Eu me confundi.
Perdi algumas cores e,
naquela foto
em preto e branco,
eu encontro todas as cores que me restam.
Todas elas.
Perdidas e confusas como eu.
Não se reconhecem,
mas eu sei que
elas todas estão ali.
Pena que ninguém enxerga.
Mas não precisa,
elas só fazem sentido pra mim.
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