Ontem e Hoje

Ontem

Pareciam duas pessoas que não queriam terminar.
Tanto choro naqueles olhares.
E eles não queriam se apartar.

Era desejo que começava de um lado,
por desejos que não acabaram de ambos.

Era um "não creio", um "não vai",
um "você pode se arrepender"

Pensando tanto em condições e em sofrer,
dei as costas e caminhei para longe.
Corri, entrei, bati, deitei, chorei e dormi.

Hoje

Desato os laços que me prediam a você,
já desbotados de tantas lágrimas derramadas.

Parece que o vazio é maior e aparentemente
eu não sinto minhas pernas, só o pesar.
Só o pesado coração que bate por comodidade.
Por inércia e talvez por querer que eu viva outra vez.

Um Desejo

As necessidades são enormes

e tudo que se faz, não se transforma.
Os desejos são exagerados, são precisos.

Alguns preciosos,
outros de desconfigurações.

As dualidades tomam conta,
uns se vão
e surge um único desejo:
vários lápis de cor e um livro de colorir,
apenas.

'Eu' e 'Você'

E se vai aquela chance de um tanto de prazer.
E se perde um pouco das vontades anteriores.
E se aborrece com o agir do outro.

Reclama das paredes, das tomadas de uma casa
que abriga desde sempre por não ter do que falar.

O que acontece reflete complicações e necessidades.
Não necessariamente má vontade e vingança.

Pensando um pouco mais, entende.
Só que uma coisa leva aos absurdos,
se diz portar sinceridade,
mas ignora falas e desejos.
Se diz verdade a todo custo,
mas aparenta não perceber quando não o é.

Cada um é um pedaço de si próprio,
até que sua plenitude seja percebida
e tudo comece a ser vivido no total.

Uma barreira enorme separa um eu de um você.
Não existem eu e você como um.
Existe um eu e um você.
Pode existir um eu e você, mas repleto de individualidades.
Pensando bem,
o que existe no fim de tudo é o 'eu',
porque o 'você' é apenas um interesse de satisfazer esse 'eu'.
E, depois de alcançada a satifação,
'eu' e 'você' somos apenas pronomes.

Carne

Fazes o que queres
de tudo que se aproxima.
Pensas que o corpo,
que a carne é apenas carne.
Acreditas que meu coração puro
é um portal de amor que não se acaba.
Continuas usando de carnes alheias a mim
e provocando meus sentidos e esquecendo meus sentimentos.
Cobras de mim toda pureza desse amor no coração,
mas tuas bobagens não me fazem cego.
Conheço cada passo teu e te digo:
não me magoe,
o coração também é de carne e,
por mais sentimento que o deixe brilhar em pureza,
sua base é carne,
e, por consequência, fraca.

Meu Ser Incompleto

Às vezes eu chego a pensar que não sei o que eu quero,

porque poderia simplesmente me livrar do corpo
e dos sofrimentos pouco a pouco com o tempo.

Depois de refletir, rever e repensar incessantemente, descubro.

Eu sei o que eu quero,
sei tanto que não me desapego do corpo pelo simples fato de saber que,
caso isso aconteça,
terei que pouco a pouco me desfazer dos sofrimentos e,
quando esse tempo finalmente acabar,
é o fim.
E isso eu não quero.

Eu posso me chamar de idiota,
por ser um, por fingir ser um, por querer ser um.
No final das contas,
todo sou de idiota por um amor que faz a minha felicidade completa,
mesmo vindo incompleto.

Das Feridas

Parei com a raiva de não poder controlar as vontades de teu coração.
Parei com o medo de cada aproximação e de cada palavra trocada
fora de mim.
Esqueci o que me movia lá pras bandas de teus sentimentos
e aprendi que eu só posso fazer o que eu posso fazer.

Se há forças maiores que ti,
que elas te façam feliz,
pois a sensação é que eu não posso mais.
Se há motivos de um sorriso de verdade nos teus lábios,
independe qual seja,
se é o que te faz bem.

Quando as portas estiverem fechadas,
não penses que estarei atrás delas chorando,
porque sei que isso vai te fazer mal.
E tudo que quero é o que te faz o bem.

Quando as letras estiverem borradas,
quando os soluços estiverem altos
e quando o amor estiver aparentemente no fim,
não penses que não amo mais,
não me imagines em prantos,
isso não te fará feliz.

Quando tudo for indício do fim,
não penses que não morreria por ti.
Apenas seja feliz
e me deixe cuidar de cada uma dessas feridas
que nunca se fecharão
e que nunca me deixarão te esquecer.

Tristeza

Tristeza bonita de se ver.
São palavras carregadas de sentimento ruim de beleza única.
São pontos contraditórios que traduzem o mais íntimo de um sentimento.

No fundo, a alegria tem uns toques de tristeza.
É aquele sentimento que nos tira as lágrimas após um apagar de luzes
e um abraço no travesseiro.
É aquele sofrimento abafado pelo abrir de um chuveiro.
É aquele enfraquecer ligeiramente camuflado por um sorriso em transparente.

Quando me ponho de canetas e papéis,
surgem os sentimentos angustiantes repetidas vezes
como se não fossem parar
como se não fossem sair
como se não quisessem abandonar
como se não fossem sair
como se não fossem parar.

Os sentimentos a serem contados sofrem,
clamam e se debulham em poucas ou nenhumas alegrias.
Terminam com os restos de nós,
com os poucos que vão ficando das reflexões de cada dia,
com os nadas que nos restam depois de cada fim.

O sofrimento é impossível de se mensurar,
mas o belo sentimento fica,
como se fosse tudo bom,
como se valesse sofrer para estar em incrível beleza nas palavras dos poetas.

Limites

Quero ser o ponto mais alto de teus desejos.
Teus motivos de querer.
Tuas forças pra seguir.
Teu tudo.

Quero ser o que não sou
e acreditar que basto,
porque às vezes sinto como se
não mais.

Quero fazer o máximo,
quero ser o que gostaria
e prender o bem que você me faz
até que me machuque o suficiente
pra eu não conseguir mais suportar
e deixar que você vá (de mim).

Se eu fosse rico
e tudo pudesse comprar,
faria uma redução de sentimentos.

Em clínica reconhecida,
ou num fundo de quintal clandestino,
livraria todo meu apego,
tudo que me faz depender,
estaria leve,
levado pelos ventos
como o lenço de Tieta.

À espera de uma felicidade qualquer,
de qualquer felicidade que dependesse apenas de mim
e que fosse aparentemente eterna
como essas de fim de novela.

Quando Quero

Quando quero,
se não queres,
torço para não querer mais.

Se o querer continua,
tento desmanchar-me em ocupação
e em pensamentos que não me levam
de onde nunca saí.
Acredito que por não querer.

Quando quero,
se não queres,
imagino o que te faria voltar.

E se não voltas,
tento não desejar,
tento não querer,
tento não lembrar,
tento ser eu: coisa que não sei mais.

Quando me dou conta de teu abandono,
esqueço tudo que passa pela cabeça
e me proponho inteiramente vazio.

Quando quero,
se não queres,
apenas não sei mais o que fazer.

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